Andrew Smith · Resenha

Sorteio e resenha: Selva de Gafanhotos, Andrew Smith

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sinopse

Na pequena cidade de Ealing, Iowa, Austin e seu melhor amigo, Robby, libertam acidentalmente um exército incontrolável. São louva-a-deus de um metro e oitenta de altura, completamente tarados e famintos. Essa é a verdade. Essa é a história. É o fim do mundo e ninguém sabe o que fazer.

Com todos os elementos obrigatórios de um romance apocalíptico, Selva de gafanhotos mistura insetos gigantes, um cientista louco, um fabuloso bunker subterrâneo, um mal resolvido triângulo amoroso-sexual e muita, muita confusão, e está longe de tratar apenas do fim do mundo.

Engraçado, intenso e complexo, o livro fala de um jeito inovador de adolescência, relacionamentos, amizade e, claro, de temas um tanto mais inusitados, como testículos dissolvidos e milho modificado geneticamente. Um romance surpreendente sobre a odisseia hormonal, amorosa e intelectual que é essa fase da vida

Skoob | Goodreads

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Como começar minha resenha de Selva de Gafanhotos? Gente, ele me trouxe as mais variadas reações, desde risadas até nojinho de diversas passagens. Posso dizer com certeza que esse livro me tirou totalmente da minha zona de conforto!

E sabe, uma vez durante uma aula de escrita criativa, a professora comentou que os melhores livros são aqueles que incomodam você, da maneira que for. O importante é que eles causem incômodo. E cada vez mais, tenho reparado o quanto isso é verdade. Seja por me identificar demais com determinada história ou até mesmo me tirando da zona de conforto, como aconteceu com essa leitura.

Selva de Gafanhotos cutuca o leitor das mais variadas maneiras. E a coisa toda começa ali na capa. Vamos concordar que é o tipo de capa que não agrada todo mundo e que chama atenção. Sou do time que achou a capa feia e conforme ia avançando na leitura, mais reparei o quanto ela condiz com a história e acontecimentos. Ela se encaixa direitinho e é extremamente perfeita. Quem a criou está de parabéns, porque conseguiu transmitir de maneira simplória toda a essência do livro!

Passando pela capa, temos o gênero do livro: weird fiction, um subgênero da ficção que possui elementos bizarros, mas ao mesmo tempo não se encaixa na fantasia (para explicar melhor, o Blog da Boitempo tem dois posts interessantes sobre ele clique aqui e aqui para ler).

Selva de Gafanhotos é completamente louco. Temos desde assunto normais, como adolescência e a descoberta (ou seria o aflorar?) da sexualidade e de repente puf, estamos enfrentando insetos gigantes assassinos que, já nas palavras do narrador, Austin, “só querem saber de trepar e comer”. E vou confessar que esses bichos do livro me deixaram beem assustada. Eu não ia gostar nem um pouco de encontrar gafanhoto assassino gigante por aí.

Austin é um narrador extremamente interessante e humano. Ele tem medo, tem diversas atitudes egoístas e apesar de ter que lidar com o fim do mundo, ainda tem que arranjar tempo para lidar pelo seu amor pelo seu melhor amigo, Robby e sua namorada, Shann e toda a confusão em querer os dois. Em todos os sentidos. Andrews criou um personagem tão humano que ele poderia ser qualquer garoto. É fácil enxergar nele um menino completamente comum, não tem aquela coisa de personagens quase intocáveis que muitos livros de ficção possuem.

Robby e Shann, apesar de muito presentes na história são narrados completamente do ponto de vista de Austin. E ele praticamente os idolatra. Especialmente Robby, que é colocado em um pedestal. Portanto, é fácil simpatizar e gostar muito de ambos. Mas confesso que eu adoraria ver um outro lado deles, um lado não tão bonito.

Algo me incomodou muito na narrativa da história. Austin é extremamente repetitivo a ponto de irritar um pouco, assim como também volta diversas vezes para momentos no passado e isso para mim, foi o ponto mais baixo do livro. Por outro lado, ele é extremamente descritivo, sem ser cansativo, se é que isso faz algum sentido, haha. Em alguns (vários) momentos, ele me incomodou demais com questões de limpeza e cheiros e coisas nojentas que me deixaram extremamente incomodada e tive que colocar o livro de lado por algum tempo para voltar a ler. Um comentário sobre isso: digamos que Austin precisa de um desodorante mais potente, haha.

Por outro lado, a narrativa ocorre de forma muito dinâmica. Muitas coisas acontecem ao mesmo tempo, muitas informações e resultados de acontecimentos são praticamente jogados em cima do leitor de forma que seja até um pouco sufocante. Mas Smith com certeza fez proposital, porque faz com que a gente não queira parar de ler e transmite exatamente as sensações que os diversos personagens devem ter sentido com o decorrer das coisas. Nem sempre tudo é lindo e limpo, não é mesmo? A vida não passa devagar, não nos dá tempo de nos acostumar com algumas coisas antes de mudá-las. E a narrativa acaba transmitindo isso muito, muito bem.

nota

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consideracoesfinais

Selva de Gafanhotos é o tipo de leitura que vai cutucar o leitor. Talvez não no âmbito emocional, mas em diversos outros pontos. Ela é nojenta, ela é sincera, ela é, “crua”, não no sentido de faltar algo na escrita, porque Andrew Smith o fez com maestria, mas sim no sentido de sinceridade. Nada ali é camuflado ou amenizado para o leitor. E apesar disso me incomodar muito em diversos momentos, foi o que eu mais gostei na leitura.

recomendoSelva de Gafanhotos é um livro sensacional e eu o recomendaria para todo mundo. É uma leitura diferente que o mais variado tipo de leitores deveriam experimentar!!

sorteioEstamos sorteando um exemplar do livro, então, se você ficou curioso para ler depois dessa resenha ou já queria ler! O resultado sai daqui uma semana, na nossa página do Facebook! Boa sorte!

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2 comentários em “Sorteio e resenha: Selva de Gafanhotos, Andrew Smith

  1. Olha, vou confessar que enquanto lia fiquei morrendo de medo desses bichos hahaha Apesar desse livro ter me incomodado bastante, eu gostei muito!!! Me surpreendeu bastante haha

  2. Já fiquei morrendo de agonia só pela resenha, hahahahaha. Parei, por uns 5 minutos, e fiquei imaginando gafanhotos gigantes por aí, fazendo o que gostam de fazer. Mas, ao mesmo tempo, morrendo de curiosidade pra ler este livro!

    Associei essa história da praga dos gafanhotos com o filme Possuídos, da Ashley Judd. A história em si não tem nada a ver (tipo, absolutamente nada, haahahaha), mas essa agonia que senti ao imaginar os gafanhotos, foi a mesma que senti ao ver o filme e a paranóia dos personagens com os insetos, yuuuck.

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