Julia Hoban · Resenha

Resenha: Willow, Julia Hoban

willow

 

sinopse

Sete meses atrás, em uma noite chuvosa de março, os pais de Willow acabaram bebendo muito durante o jantar e pediram a ela que guiasse o carro até em casa. Por uma fatalidade, Willow perdeu o controle do veículo e seus pais morreram no acidente. Consumida pela culpa, Willow deixa para trás sua casa, amigos e escola e, enquanto tenta retomar a relação de afeto e companheirismo com o irmão mais velho, secretamente bloqueia a dor da perda cortando a si mesma. Mas quando Willow encontra Guy, um rapaz tão sensível e complexo quanto ela, mudanças intensas começam a acontecer, virando seu mundo de cabeça para baixo. Contado de modo cativante e doce, Willow é um romance inesquecível sobre a luta de uma jovem para lidar com a tragédia familiar e com o medo de se deixar viver uma linda história de amor e cumplicidade.

Skoob | Goodreads

 

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Assim que li a sinopse de Willow pela primeira vez, fiquei com muita vontade de ler e quando descobri que a editora Leya, nossa parceira aqui do blog havia lançado a tradução, rapidamente ele virou minha escolha para resenhar. E tenho que comentar que a capa brasileira do livro é simplesmente ma-ra-vi-lho-sa. ❤

Willow foi um livro que me levou do choro ao riso várias vezes – mas devo confessar que as lágrimas foram muito mais frequentes que as risadas – e rapidamente fui cativada pela história e me peguei lendo metade do livro em cerca de três horas, de uma tacada só e sem nem perceber porque a leitura flui de maneira que prende o leitor e fazendo com que ele devore o livro desejando saber mais sobre Willow, David e Guy. A narrativa ocorre em terceira pessoa, mas sempre foca no ponto de vista da garota, de forma que o leitor não saiba o que nenhum personagem além dela sente ou pensa.

“Ela não consegue mais falar com as pessoas e, claramente, elas também têm dificuldade em falar com Willow”

Willow é uma personagem complexa. Assim como Guy, acabamos nos apegando a ela desde o primeiro instante. No entanto, ela também nos leva a diversos sentimentos, sufocada com seu sofrimento e perda, muitas vezes dá vontade de entrar no livro e impedir que ela se corte e que se culpe tanto pela morte dos pais. Não tem como não ser tocado pela personagem e desejar que tudo fique bem, que ela volte a ser uma adolescente normal, pare de se culpar e volte a deixar as pessoas entrarem em suas vidas novamente.

“Ele diz tudo isso facilmente, como se eles já tivessem tido um milhão de conversas antes. Como se eles fossem amigos”

A relação de Willow e Guy ocorre de maneira natural e lenta, que faz com que nos apaixonemos por ele conforme a história evolui. Guy é tão cativante que cheguei a ficar com raiva da Willow sempre que ela tentava afasta-lo. E muitas das vezes que quis entrar no livro e dar uma chacoalhada nela, foi por causa do Guy (aquele lindo ❤). No entanto, ele está ali apenas por causa da Willow, então não espere muito aprofundamento no personagem  – coisa que senti falta, vou confessar -, o que conhecemos são apenas coisas que interessam para a Willow. E o mesmo acontece com todos os outros personagens da história.

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David, o irmão da Willow é um personagem que poderia ter sido melhor apresentado e aprofundado, apesar de uma certa distância dele ser necessária e fazer sentido para toda a história, em diversos momentos da leitura, fiquei com a sensação de que “faltava algo” nele. Já os outros personagens secundários, são muito bem apresentados e toda interação com a Willow acontece de forma que caminhe perfeitamente com a evolução da história, dando uma sensação bem real e natural.

“E então, justo quando eu pensei que não tinha mais controle sobre o que estava para acontecer, eu percebi duas coisas. A primeira era que essa dor emocional estava indo embora, estava saindo, não iria me consumir; e a segunda era que eu estava me atacando com a chave de fenda e aquela dor física que eu estava causando foi melhor que qualquer droga que o hospital tinha. Estava fazendo todo o resto ir embora”

Willow é um livro que retrata o luto de maneira sincera. Quem já sofreu uma grande perda, vai se identificar com os sentimentos, pensamentos e sensações da personagem principal. No entanto toda a culpa que ela sente e a maneira que acaba encontrando para lidar com o mar de dor em que se encontra, não é o método usado por todos e todas as cenas em que Willow se corta são detalhadas ao extremo e provavelmente vão mexer com o leitor. Elas estão ali para incomodar e cutucar,  e acredite, você não vai passar impune por elas, mas também são sinceras e o fato de não “passar a mão na cabeça” do leitor para o assunto, faz com que se torne ainda mais realística e não deixe que fechemos nossos olhos para uma questão real que acontece mais do que imaginamos.

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Apesar de sincero e até cruel, muitas vezes eu senti falta de “conhecer” um pouco mais da Willow antes do acidente. Senti falta de alguns flashbacks para saber quem ela era, como ela era antes de tudo mudar. Especialmente em relação ao David, pois no caso dele, não me foi possível fazer a conexão de dois irmãos tão unidos, já que acompanhamos a história à partir de quando tudo mudou e não há muitas passagens que passam a sensação de como as coisas eram anteriormente, a distância dos, apesar de dolorosa, talvez pudesse ter sido melhor apresentada; assim como ajudar o leitor a “sentir”  a grande mudança da Willow.

 

nota

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Willow é um ótimo livro que trata a perda, luto e superação de maneira sincera e real. As coisas não são fáceis e muitas vezes acabamos nos afogando na dor e passamos a enxergar o mundo como se por trás deu m véu, onde apenas algumas coisas façam sentido. Mas com o tempo, com algumas pessoas do lado, tudo começa a mudar, mas a cicatriz fica por um longo tempo ou até para sempre.

É um livro que vai incomodar, que vai te fazer chorar diversas vezes. Mas também é uma história tocante e apaixonante sobre perda, culpa e superação que vai fazer com que o leitor se identifique em algum momento.

 

recomendo

Indico a leitura para quem gosta de histórias tocantes e que apreciam um sick-lit que sejam sinceros e discutem questões psicológicas de maneira real e sincera, além de possuir uma evolução de personagem muito gostosa de acompanhar.

 

postflavia

 

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